Thursday, January 19, 2012

A Educação na Visão de um Médico


Costumamos buscar em pensadores, educadores, pedagogos , filósofos as perguntas para tantos questionamentos sobre o correto  processo de ensino aprendizagem. Muito do que fazemos com nossos alunos, resulta de um processo de crescimento pessoal, intuição, troca de opiniões com colegas professores e bom senso adquiridos ao longo de tantos erros e acertos em sala de aula. Por isso, gosto de ouvir e discutir sobre educação. 

As opiniões de um médico neurocirurgião e professor Portugês, com formação tradicional na Europa e na América, me chamaram a atenção pela propriedade com que fala sobre os caminhos da educação. Polêmico, sincero, experiente e respeitado são apenas alguns adjetivos atribuídos a João Lobo Antunes. Tive a liberdade de relatar alguns dos seus pensamentos...

O Medo da Ignorância

os alunos de hoje não tem mais o interesses pelo conhecimento, isso se deve em parte a perda da vergonha pela ignorância. Na época do professor de estudante, os alunos estudavam mais do que a matéria por ter vergonha de eventualmente não saber responder a uma pergunta de um professor em sala de aula.

Sobre o Talento

não acredito em talento de berço.  Os alunos de hoje estão saindo da universidade feito uns papos-secos (pães secos) com muita teoria e sem manteiga por falta de vivência profissional. Acredito no retorno das prácticas como um instrumento para definir competências, sem as quais o aluno não pode seguir.

Curriculo escondido

a sala de aula cobre em torno de 60% do que os alunos precisam saber. De alguma forma os curriculos e atividades universitárias devem contemplar a troca de experiências com profissionais, professores possibilitando maior vivência humana e profissional. Isso contribui para a formação do cidadão.

Educação como Instrumento para a Felicidade

quando todos entenderem que a educação é o caminho para a formação intelectual, profissional e moral das pessoas que ensinamos, os alunos entenderão que estamos diante do caminho para a felicidade.

Saturday, November 12, 2011

Como escolher pessoas em TI?

Pessoas são as peças chaves de qualquer organização. Portanto, saber escolher alguém para vir contribuir com o seu grupo ou organização pode trazer resultados excelentes ou catastróficos. Na área de TI, isto é crítico pois existem muitos profissionais tecnicamente similares, mas uma quantidade restrita de profissionais com competências que permitam ser produtivos no trabalho em grupo e na relação com clientes. Dizem que:

"contratamos as pessoas pelas competências técnicas e as demitimos pelas comportamentais"

Apesar de não existir uma fórmula padrão compartilho aqui alguns pontos que utilizo ou gostaria de utilizar.

Não contrate apenas pelo currículo. Sem dúvida, olhar o currículo como um espelho retrovisor da vida do candidato é fundamental. Certificações, especializações, mestrados e doutorados são um forte indicativo. Mas afinal, qual é a instituição que certificou ou formou este candidato? Será que a USP só produz gênios e excelentes profissionais?

Ao realizar o ITJOB, um evento voltado para a alocação de empregos e estágios em TI na Paraíba,  amigos empresários foram enfáticos ao falar "precisamos de profissionais que saibam se comunicar melhor e que tenham atitude". Quem você me indica? Esta experiência me fez refletir sob a importância de desenvolver estas competências em meus alunos. Temos que investir seriamente em seminários, workshops, desenvolvimento de projetos em grupo. A experiência da fábrica de software do Unipê tem sido fantástica neste sentido, pois os alunos despertam para a realidade de um ambiente profissional durante a graduação. A maioria dos alunos que passa pela fábrica tem crescido rapidamente no mercado de trabalho.

Indico uma sugestão da Professora Izabel Morais, uma sumidade na área de RH e psicologia organizacional: teste seu futuro colaborador no dia a dia da organização. Ela me sugeriu que para saber a qualidade do professor eu o colocasse dando aula uma tarde toda para turmas grandes e heterogêneas. O que adianta ele dar uma aula de 30 minutos para uma banca de professores num ambiente controlado? Empresas de TI como a Microsoft e a Google tem experimentado colocar os candidatos em ambiente real de trabalho antes de contratá-los para saber da sua produtividade, competência técnica, aspectos de liderança, ética e ainda se  este se adequa aos princípios e valores da empresa.

Não é simples escolher pessoas, mas penso que as competências comportamentais são as mais difíceis de perceber num processo seletivo. As técnicas nós podemos investir e desenvolver. Busco referências sobre o seu desempenho em outras organizações, avalio sua presença nas redes sociais e normalmente procuro tomar um café informal para conhecer numa conversa franca com quem estou falando.

Sucesso.

Sunday, November 6, 2011

Aonde devo trabalhar?

Como professor e orientador de alunos de graduação e pós, muitos alunos me questionam acerca do local ideal para trabalhar. A melhor resposta para este tipo de coisa chama-se "depende". Cada um tem seu momento de vida, seus interesses profissionais e expectativas. Como grande parte dos que tenho contato são rapazes e moças saindo da universidade, vou me dirigir a esse público.

Definitivamente, procure empresas que não o consideram apenas um recurso a mais. Para os que estão iniciando a carreira, mas vale uma empresa com perspectivas no mercado e com uma política clara de capacitação do que alguns reais a mais no bolso. A área de Tecnologia da Informação, em especial, vive mudanças constantes de cenário. Não adianta investir sua carreira em uma empresa que não acompanhe as mudanças da TI. Simplesmente você estará ilhado na empresa e ficará muito difícil sair para outro lugar ou evoluir profissionalmente. Portanto, investigue sobre a empresa, o ambiente de TI e as perspectivas. Olhe os websites, pergunte a amigos e profissionais, clientes, prestadores de serviços e olhe a posição no mercado (caso seja uma S.A.). Caso participe em algum processo seletivo, questione sobre a política de crescimento de recursos humanos.

Tive a sorte de começar trabalhando numa empresa que não me pagava muito bem, mas que rapidamente me impulsionou para mercados mais interessantes depois de alguns bons anos como Trainee. Isto é o que chamo elástico do conhecimento. Invista sempre em conhecimento para mudar o seu patamar no mercado. Você puxa o elástico, normalmente fica com menos dinheiro, para depois esticar o elástico com mais conhecimento que vai lhe proporcionar um novo degrau profissional.

Governo ou setor privado? Passei pelos dois e vejo perfis distintos. Uns querem a estabilidade do setor público, outros querem a agressividade orientada a resultados, característico do setor privado. Novamente, "depende".  O que você tem que definir é o seu modelo de negócios pessoal. Caso queira uma vida mais tranquila, com estabilidade e sem grandes saltos na sua carreira, seu lugar é no setor público. O setor privado lhe oferece desafios interessantes, com esforços pessoais muito mais significativos. É uma zona de risco que quando bem conduzido traz resultados financeiros e profissionais sensacionais. O que não vale é ficar no meio termo e não ter os benefícios de um ou de outro.

Não poderia deixar de falar que você pode escolher montar a sua própria empresa. Ser empreendedor e buscar seu próprio futuro. Por que não? Alguma ideia? Exemplos como Steve Jobs, Bill Gates e mais uma centena de pessoas nos fazem pensar que podemos fazer algo diferente na vida e potencializar nossas ideias e conhecimentos. O Brasil vive um momento ímpar de crescimento e oportunidades, com linhas de financiamento disponíveis. Pense nisto!

Sucesso!

Thursday, November 3, 2011

Economia Mesh: O Futuro Compartilhado

Um novo conceito começa a ganhar força com o uso da internet como meio de colaboração. Num momento em que todos defendem o uso racional de produtos, infraestruturas e recursos naturais, a possiblidade de compartilhar o que você não usa 100% parece ser interessante. Vem ai a economia MESH, ou em malha.

Você toparia ceder, emprestar ou alugar uma casa de praia que você só frequenta no verão? E a sala de treinamentos de sua empresa poderia ser usada por uma empresa de treinamentos? E seu carro? O brinquedo do seu filho encostado no porão?

Um livro recém publicado no Brasil "Por que o Futuro dos Negócios é Compartilhar", da autora Lisa Gansky, aborda o tema e defende que a propriedade seja cada vez mais compartilhada para otimização de recursos. Na verdade, a discussão do livro indica para uma mudança no conceito de propriedade, sugerindo que o mundo deve migrar para um consumo colaborativo.

Todos os dias ao chegar na universidade me pergunto se é mesmo necessário que cada aluno venha com o seu próprio carro. Um absurdo para o ambiente, para a economia e para o bolso dos consumidores. Que tal pensarmos num sistema integrado de caronas aonde todos compartilhem seus recursos. Quem já morou numa república universitária sabe bem o que estou falando. Um sistema aonde as pessoas abrem mão da sua individualidade em certos momentos em prol do coletivo. Não é só discurso, falo de viabilidade financeira.

Na prática, várias empresas e cidadãos já adotam a economia mesh através de serviços disponibilizados na Internet.  Nos Estados Unidos e na Europa empresas como a zipcar.com (no segmento de carros), a airBNB (compartilhando quartos) e thredup.com (brinquedos que não se usam mais) são alguns exemplos de que a ideia pegou. Em Recife, a empresa deskncoffe.com também inovou e começa a alugar para desconhecidos os espaços ociosos de empresas.

A questão cultural precisa ser vencida, principalmente em Países como o Brasil onde todos desconfiam e semprem querem "levar alguma vantagem". Os europeus montam serviços ondem oferecem para estranhos um sofá da sua casa para viabilizar viagens mais baratas e apoiar a passagem de pessoas nas suas cidades. Um professor conhecido usa este sistema e já se hospedou em lugares privilegiados.

Questões culturais a parte, a moda será dividir, compartilhar, otimizar e inovar. Vem aí um novo mundo. Vai entrar?

Wednesday, November 2, 2011

As redes sociais na América Latina

Ultimamente tenho estudado a respeito do impacto das redes sociais nas organizações. Muitos empresários que tenho contato percebem que as redes sociais estão sendo utilizadas por um público jovem, mas se questionam sobre:

1) meu público-alvo está nas redes sociais?
2) quais as redes sociais que devo usar?
3) como usá-las de forma adequada para o meu negócio?

Começando pelo fim, percebe-se que são poucas as empresas que estão usando as redes sociais de forma profissional, baseada num planejamento estratégico e com o apoio de analistas de redes sociais com competências técnicas para tal. Tenho usado um ciclo PDCA para as redes sociais que comento em um post futuro.

As perguntas 1) e 2) são alvo de diversos estudos. Vou me remeter ao estudo "A Ascensão das Redes Sociais na América Latina", realizado pela ComScore em Setembro de 2011.  Nosso povo se mostra altamente participativo nas redes sociais. No Brasil, 90,8% dos internautas estão presentes nas redes sociais. Curiosamente, o líder de acesso no Brasil ainda é o Orkut, com rápida ascensão e possível superação pelo Facebook. Este que é líder no mundo com mais de 700 milhões de seguidores e na América Latina, com mais de 90 milhões. O estudo aponta ainda que o Twitter é a segunda maior rede social em expansão.

Além do volume crescente de acessos, este estudo comprova uma suspeita que tinha: as redes sociais estão fazendo diminuir o acesso aos blogs, portais, messenger e quem diria, os emails. A conectividade em grupo e dinâmica das redes sociais chegaram para ficar e devem ser considerados pelas empresas. No entanto, o segredo estará na escolha da rede social adequada ao seu negócio e o valor que é repassado para os clientes. Boa viagem.

Tuesday, November 1, 2011

A Seleção de Voley e as organizações

Para mim, os jogos Pan Americanos de Guadalajara 2011 foram emblemáticos sobre o trabalho do treinador Bernardinho a frente da seleção Brasileira de Voley. A seleção chegou no México com um time reserva, treinador adjunto e apenas um titular da seleção considerada como titular. Justamente o levantador Bruninho, eternamente questionado por ser filho do treinador.

Resultado. O time foi campeão, com um desempenho extraordinário, vencendo Cuba, a atual vice-campeã mundial com um show de voleyball.

Alguns críticos insistem em questionar o trabalho deste gestor de altíssimo nível do esporte Brasileiro. Contra resultados não há argumentos. Tem todo o nosso crédito. Mais que isto, temos que aprender a gerir as organizações com tal capacidade. A cultura está implantada e mesmo com o rodízio de jogadores e até mesmo do técnico, os resultados prevalecem.

Não sabemos exatamente a fórmula de Bernardo, mas algumas coisas do que vemos e ouvimos falar devem ser consideradas.

a) Muito treino. Trabalho duro, diário.
b) Pensamento rápido. As pessoas sabem o que tem que ser feito em situações críticas.
c) Orientação estratégica. Cada um sabe aonde o time quer chegar e como deve chegar.
d) O coletivo se sobrepõe ao individual. Espírito de equipe em prol da organização.
e) Escolha das pessoas certas para os lugares certos.
f) Tecnologia usada para apoiar a tomada de decisão.
g) O líder dá o ritmo, exige, ouve e harmoniza o grupo.


Esta é a realidade da sua empresa?

Parabéns Bernardinho.

Thursday, August 7, 2008

Contágio em ambientes de TI

Gestores de TI e outros executivos das áreas de negócios poderiam refletir sobre o passado do uso de TI na organização e o status actual que a TI possui dentro da organização. Assim como nós agimos com confiança e convicção em processos que correram muito bem no passado, gerando assim maior conforto para actuar no presente, raciocínio similar pode acontecer com o destino da TI nas organizações. Falo que ambientes onde a TI teve um passado de sucesso não muito remoto, gera um ambiente favorável ao seu desenvolvimento, pois executivos de outras áreas e a própria gestão de primeiro nível aumentam a confiança e credibilidade em operações que envolvam TI. Parece ser óbvio, mas poderiamos desenvolver mais estudos para verificar o efeito "contágio" com relação a diversos contextos,novas tecnologias emergentes e eventualmente com o perfil estratégico da organização.

Por outro lado, o fracasso também contagia. Estudos (lucas, 75; Brown 1991) indicam que falhas no uso de TI fazem com que o relacionamento entre executivos de negócio e de TI sejam abalados. Factores como cooperação entre TI e as áreas para questões estratégicas, confiança, suporte dos usuários e dos gestores em questões decisórias sofrem com o negativismo e a descrença instalada no ambiente.

Considerando o papel da TI no processo actual de integração entre processos empresariais, a envolver toda a cadeia de produção desde fornecedores, parceiros e clientes, o risco social do efeito contágio pode assumir dimensões extra-organizacionais de grandes proporções. Por exemplo, considere uma empresa focada em oferecer serviços financeiros pela internet, integrando vários operadores e bolsas de valores. Esta empresa inova ao oferecer um serviço de busca de investimentos globais baseados na Internet, que no último trimestre proporcionou grandes rendimentos aos seus clientes e uma grande projeçao da empresa. Este clima positivo deve favorecer o surgimento de nova idéias e projectos entre as áreas de negócio e o time de TI. Caso os resultados fossem desastrosos, provavelmente a busca de novos projetos e novas idéias iria ser feita com muita cautela e até mesmo desconfiança sobre o time de TI. Isso se o time de TI ainda existisse depois do falhanço.

O contágio afinal de contas é um processo social resultante de acções ocorridas num contexto. Os motivos para a definição são diversos, e merecem ser mais investigados para proporcionar um ambiente favorável ao desenvolvimento da TI em uma organização. Estudos empíricos correlacionam o sucesso da TI a proximidade entre os profissionais de TI e profissionais de negócio, principalmente a nível decisório para impulsionar novos projectos. Uma boa percepção das possibilidades da TI aliadas a uma comunicação contínua e efetiva entre as áreas deve ser considerada uma excelente prática de governança de TI. Afinal uma empresa deve definir entre o vírus social do crescimento ou do negativismo orientado á custos.

Mesmo que seu ambiente de TI esteja infectado negativamente, não desanime. Lembre-se que tudo realmente depende do contexto em que insucessos aconteceram e uma relação de causa-efeito não é necessariamente estabelecida. O entendimento mútuo entre TI e área de negócios pode ser uma fonte de reversão do processo pessimista, de forma que os erros sejam profundamente estudados e assimilados por ambas as partes. Culpados não devem ser procurados isoladamente, mas deve-sim buscar uma melhor comunicação e cooperação entre as partes em busca de objectivos concretos a curto e longo prazo para a TI.