Wednesday, June 25, 2008

TI : Um Organismo Vivo à sua frente

Como anda a infraestrutura de TI da sua corporação?

A primeira tentativa de mapear essa realidade temporária pode nos seduzir a criar um mapa lógico com entidades, processos, equipamentos, redes, aplicações e sua relação com a estrutura organizacional. Essa prática pode ser conduzida com certo sucesso baseada em algumas propostas de arquitectura empresarial como a do clássico Sr Zachman ou do recente TOGAF, do Open Group.

No entanto, em contacto pessoal com empresas que usam intensivamente TI verifiquei que raramente encontrava uma resposta clara, concisa, e de entendimento comum sobre essa resposta. Alguns factores me seduzem a analisar essa questão sobre uma perspectiva mais básica, sobre as origens e características da infraestrutura de TI. A popular wikipédia por exemplo indica infraestutura como "um conjunto de elementos estruturais que enquadram e suportam toda uma estrutura", definindo assim o seu caráter estruturante, de suporte a execução de actividades. Ao transplantarmos para o mundo da TI, podemos verificar que a infraestrutura é extremamente complexa. São diversos os seus componentes:

- Equipamentos dos mais variados propósitos (computadores, servidores, roteadores, dispositivos móveis, fibra óptica, video conferência, celulares, impressoras,etc);
- Aplicações e software (Sisntemas operacionais, sistemas de gestão, controle operacional, utilitários, editores, etc.);
- Informação (multimidia, estruturada, arquivos, imagens, estratégicas, acadêmicas,etc.)
- A rede e seus padrões de transmissão e comunicação (Internet, intranet, Web, private,etc)
- Pessoas envolvidas na criação, uso, discussão, definição de aplicações e informação.


Ao longo do tempo, verificamos modificações na infraestrutura de acordo com os interesses gerais e particulares da organização, além de ações políticas, tecnológicas que acontecem na vida de uma organização. Factos estes como novos requisitos da organização, definição de novos direcionamentos tecnológicos, evolução e aquisição de aplicações, novas parceriais e assim por diante. Ou seja, sempre tem algo a acontecer que requer adaptações constantes, mesmo que menores em certos momentos, na infraestrutura. Temos assim, uma estrutura complexa, heterogênea, cujos elementos humanos e nao humanos, tem algum nível de interdependência a componentes mais compartilhados como servidores, aplicações, redes e bancos de dados centrais. O fato é que a governança e gestão da infraestrutura de TI é um desafio face a pervasividade da TI nesta rede heterogênea de actores humanos e não humanos.

Com as devidas proporções, podemos fazer um paradoxo da infraestrutura de TI a um organismo vivo, que está em constante adaptação ao contexto em que está submetido. Um organismo de TI usualmente evolui devido a adaptações necessárias na infraestrutura existente. De forma que os investimentos realizados e as relações estabelecidas entre usuários e aplicações ao longo do tempo influenciam no máximo aproveitamento da estrutura existente (base instalada), geralmente sendo raro o caso de reformular completamento a infraestutura do zero.

As mudanças demandam tempo e devem ser realizadas considerando-se as características da base instalada, minimizando impactos e investimentos. Ao fim ao cabo, podemos caracterizar ou fotografar a infraestrutura, como uma representação momentânea dos movimentos dos componentes de TI da organização face aos interesses individuais e coletivos.

Elementos de TI quando conectados a outros na infraestrutura, tornam-se interdependentes, requerendo ainda mais atenção sobre a interoperabilidade e sua evolução. Componentes ligados num organismo vivo com alta interdependência requerem ainda mais cuidado. A avaliação do interelacionamento entre os componentes do organismos de TI levam a análise minuciosa do impacto destas alterações, como por exemplo alteração de funcionalidades e caracteristicas de web services publicados num diretório de serviços de uso universal.Ciborra registra uma visão social sobre a infraestrutura ao afirmar ser essencial ter em conta aspectos como cuidado com aTI, hospitalidade no uso das aplicações e cultivo de potenciais para o seu desenvolvimento.

Podemos no próximo post fazer uma pequena reflexão sobre o uso da infraestrutura como um suporte a inovação caso a infraestrutura seja pensada de forma aberta a novas possibilidades.

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